Documentário: Privacidade Hackeada

Por Julia Hurel

O documentário Privacidade Hackeada (2019) aborda a questão da coleta indiscriminada e não autorizada de dados de usuários pelas grandes empresas tecnológicas dos dias atuais. O grande estopim para o público é descrito como o escândalo da Cambridge Analytica, que atuou manipulando eleitores na eleição presidencial de 2016 nos Estados Unidos. Essa firma coletou informações sensíveis de diversos norte-americanos para usá-las como meio de intensificar posicionamentos políticos e influenciar na tomada de decisão de diversos votantes.

Dessa forma, fica claro que a privacidade já não é algo que impede certas marcas de fazerem o que for necessário para alcançar seus objetivos e lucrar em cima da população. Nesse quesito, achei a temática discutida bem semelhante ao que foi retratado em O Dilema das Redes (2020) – todas as estratégias antiéticas de grandes corporações e a manipulação orquestrada por trás das telas que nos mantém passivos perante toda a exploração ocorrente.

Para mim, uma parte que me chocou bastante foi uma pergunta feita ao público: “Quem já viu uma propaganda que te convenceu de que o seu microfone está ouvindo suas conversas?”, pois isso realmente já aconteceu comigo. Quando eu era mais nova, eu acreditava muito no que eu via na internet e no que outras pessoas falavam, uma vez que crianças são facilmente manipuláveis. Assim, como o público infantil está tendo acesso a aparelhos eletrônicos e a redes sociais cada vez mais cedo, tornam-se alvos mais fáceis justamente por serem vulneráveis. Quando crescerem, podem ter sido afetados por tudo que lhes é bombardeado diariamente por meio desses veículos digitais.

Além disso, o filme afirma que todas as suas interações, transações bancárias, histórico de pesquisas, localizações, curtidas, tudo é coletado em tempo real por uma indústria trilionária. Esses seriam então os motivos para Google e Facebook serem as empresas mais poderosas do mundo, já que os dados teriam superado o valor do petróleo, ou seja, os dados são o bem mais valioso da terra.

Por fim, o documentário é um alerta para prestarmos mais atenção onde colocamos nossos dados pessoais, o que compartilhamos na internet e nas redes sociais. Também nos faz refletir sobre como os nossos dados estão sendo usados a favor ou contra nós e o quão manipulados estamos sendo ao trocar nossa privacidade pelo uso “gratuito” de alguns serviços e plataformas. É assustador porque fica muito claro o modo como, para essas empresas, somos apenas produtos — usados como armas.

Esta resenha faz parte da série Autores da Torre, do Projeto de extensão Torre de Babel, da Biblioteca José de Alencar (Faculdade de Letras/UFRJ) 

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