Por Fernando Moura
Desde a primeira vez que assisti Glee, senti que aquela série ia muito além de números musicais empolgantes. Ela me pegou de um jeito profundo, porque falava diretamente com quem eu era (e ainda sou): alguém tentando entender seu lugar no mundo, em meio às diferenças, inseguranças e desejos de pertencimento. Não era só sobre adolescentes cantando na escola — era sobre vozes que normalmente seriam caladas finalmente sendo ouvidas.
O que mais me impactou foi a forma como Glee escancarou temas que muita gente evitava discutir, principalmente na TV aberta: sexualidade, racismo, homofobia, bullying, deficiência, identidade de gênero, transtornos, religião e tantos outros assuntos que antes eram tratados com silêncio ou estereótipos. A série fazia isso de maneira direta, sem pedir desculpas, mas com uma sensibilidade que só tornava tudo mais real. Ver personagens enfrentando suas verdadeiras identidades e batalhas pessoais com tanta coragem foi, pra mim, algo transformador. Era como se Glee dissesse: “Você pode ser quem é — e isso é lindo”.
Glee quebrou muitos paradigmas. Deu protagonismo a quem sempre foi deixado de lado. Mostrou que ser “fora do padrão” não é um defeito, mas uma potência. E fez tudo isso com humor, emoção e música — uma trilha sonora que virava quase uma extensão dos sentimentos dos personagens (e dos meus também).
Por tudo isso, posso dizer que Glee foi — e ainda é — uma série revolucionária. Porque ousou colocar no centro da narrativa pessoas reais, com dores reais, e transformou tudo isso em arte. Me fez rir, chorar, me identificar, me questionar. E, acima de tudo, me fez entender que há força na vulnerabilidade, que ser diferente não é motivo de vergonha e que todo mundo merece um palco pra existir por inteiro. Concluo que Glee não é apenas uma série que eu assisti; é uma experiência que me marcou profundamente e que, de certa forma, moldou quem eu sou.
Esta resenha faz parte da série Autores da Torre, do Projeto de extensão Torre de Babel, da Biblioteca José de Alencar (Faculdade de Letras/UFRJ)