Por Cláudia Bacelar
Apesar de ser considerado um livro infantil, este clássico da literatura estrangeira possibilita muitas interpretações e reflexões, servindo de metáfora para diversas situações da vida.
Falando sobre o relacionamento entre um menino e uma árvore, a história é sobre o amor incondicional de uma árvore a um menino e como este, com o passar dos anos e à medida que envelhece, se mostra indiferente, insensível e ganancioso em relação a ela.
Na história, o menino aparece todos os dias para brincar com a árvore, ora para saborear uma fruta, ora para balançar em seus galhos, e esta fica feliz em sempre poder proporcionar algo que o deixa feliz também. O garoto vai crescendo, deixando de se encontrar com a árvore e só volta para visitá-la quando está triste e tem algum interesse particular. Cada vez que se encontra com a árvore, ele chega desanimado, mas ela, por sua vez, sempre tem frutos, galhos, tronco, algo a oferecer de si mesma para que ele, agora adulto, siga feliz em sua vida. Até a velhice do menino, a árvore nunca o abandona, sempre com uma solução e um pedaço de si para garantir a felicidade dele.
Esta pode ser a história do homem em relação à natureza. A ganância da humanidade não vê limites para a exploração do meio ambiente. A natureza nos dá paisagens lindíssimas, oportunidades de passeios, ar puro, frutos para nos alimentarmos e matérias-primas para construirmos um mundo mais confortável. No entanto, a fonte de nossos desejos não é inesgotável. Se continuarmos explorando a natureza de forma não sustentável, sem dar algo em troca, sem o cuidado de realmente fazer com que ela permaneça, estaremos não apenas destruindo o meio ambiente, mas a nós mesmos também. O homem se nutre do ar, da água, da terra e do fogo: elementos fornecidos pela natureza que, não por acaso, é a nossa mãe maior.
Esta também pode ser a história do relacionamento entre duas pessoas, em que a árvore representa aquela pessoa que se doa integralmente à outra sem pensar em receber nada em troca, como um pai, uma mãe ou um amor. Já o menino, a outra ponta do relacionamento, se aproveita da generosidade, do afeto e do amor da árvore para explorá-la até não ser mais possível.
No fim das contas, apesar das concessões da árvore e de praticamente ter sido destruída pelo menino, a árvore teve uma vida feliz, pois sempre demonstrava sua generosidade, fazendo com que o menino saísse feliz dos encontros. Por outro lado, o garoto agia conforme seus interesses próprios e não tinha qualquer escrúpulo em machucar e destruir a árvore.
O livro é bem curto, as ilustrações são simples, mas muito fofas e bem feitas, conseguindo fazer brotar a emoção dentro da gente e a vontade de abraçar e de subir em uma árvore pra comer uma fruta do pé, pra admirar suas folhagens, pra regar suas raízes e pra dizer: eu te amo!
Esta resenha faz parte da série Autores da Torre, do Projeto de extensão Torre de Babel, da Biblioteca José de Alencar (Faculdade de Letras/UFRJ)