Por Natalia Imlau
O filme retrata uma dançarina de balé que, apesar de jovem, se encontra frustrada com sua carreira por conta da pressão psicológica de sua mãe, também ex-bailarina que só foi destaque em uma produção da maior companhia de balé de Nova Iorque. Com medo de estar fadada ao mesmo destino da mãe, vemos a protagonista se afundando na obsessão da busca pela perfeição, já que ela, assim como a mãe, foi protagonista apenas de uma peça.
Com o início de uma nova temporada e a aposentadoria de uma de suas ídolas da profissão, Nina (Natalie Portman) vê a oportunidade perfeita para voltar aos holofotes, em uma releitura de Lago dos Cisnes, em que disputará pelo papel principal em que deve representar tanto o cisne negro quanto o branco, com personalidades extremamente discrepantes entre si. A jovem inocente se depara com o maior desafio desse papel, que é representar através da dança o completo oposto de sua personalidade, o cisne negro.
No decorrer desse longo trabalho de identificação com o cisne negro, vemos a até então ingênua menina se deparar com abusos tanto por parte de seu professor quanto por parte de sua mãe, e como seu comportamento em resposta a esses abusos se molda com o tempo a partir do momento que a protagonista se depara com seu alter ego e começa a ter respostas não tão ingênuas.
Com a completa dissociação da personagem, vemos toda sua vida desmoronando à sua volta a fim de alcançar a tão almejada apresentação perfeita, que no fim das contas, a bailarina diz alcançar.
Esta resenha faz parte da série Autores da Torre, do Projeto de extensão Torre de Babel, da Biblioteca José de Alencar (Faculdade de Letras/UFRJ)